Ruminar ou não: eis a questão!


- E se for assim? E se for assado? E se…!

O corpo é o instrumento mais precioso que temos e, a maior parte do tempo, não lhe damos o devido valor. Gostamos de abusar dele com excessos de toda a espécie, como dar-lhe pouco descanso ou ingerindo venenos – e.g. o açúcar – que nos matam, uma dose de cada vez. Quando o stress aparece, o corpo gosta de levantar o braço para marcar presença, tal e qual uma criança birrenta, por via de dores de barriga, de cabeça ou corridas à casa de banho. Nessas fases, chegamos a pensar que atraímos vírus, doenças e alergias – tudo ao mesmo tempo! Aparenta coincidência, mas não é. Quando a cabeça necessita de tranquilidade, os sinais do corpo são óbvios, porém, tantas vezes, menosprezados. A mente não pára - a gaja sofre de hiperactividade descontrolada – projectando, a todo o instante, pensamentos rodopiantes e, nós, como uma maria-vai-com-as-outras, vamos atrás, viciados na insana agitação das preocupações, angústias e ansiedades. Somos tão bons a arquitectar cenários - quais realizadores de ficção cientifica – e, por isso, neste miolo cabe sempre mais uma fantasia e não sei quantos «ses». A mente de macaco, aficionada por «ses», não descansa enquanto não despipa uns horizontes imaginários sob a forma de ruminação.




Ruminar - tornar a mastigar, remoer  (os alimentos que voltam do estômago à boca) * - é uma palavra que descobri recentemente, embora seja um ato que pratico, desde que me lembro. Todos os seres humanos ruminam, aliás, passam uma grande parte da vida nessa tarefa. Daquilo que se sabe, os animais não ruminam mentalmente, e, como tal, não perdem o seu tempo a pensar e a repensar no que fizeram ou deixaram de fazer – teria piada um cão a pensar se deveria ter roído melhor aquele osso, e se tivesse ali mais carne, e se

Mastigamos a nossa existência, engolimos em seco e voltamos a regurgitar. São tantos os ziguezagues que fazem os pensamentos que acabamos tontos, sem, sequer, sair do lugar. Ruminar é o nosso passatempo favorito; esqueceram-se de nos dizer que esse hobbie tem consequências nefastas no bem-estar e qualidade de vida. De repente, tiramos bilhete para o carrocel dos cenários hipotéticos, a maioria deles, sem realismo algum. Estamos sempre a dar atenção às suposições, deduções, interrogações, numa autêntica roda-viva. Ufa! É cansativo estarmos, recorrentemente, num lugar de julgamento e comparação. Quando damos por isso, vivemos mais dentro dos pensamentos – os quais não são a realidade – do que a vida propriamente dita. E, nessas alturas, ficamos admirados porque é que o corpo reage com tantas maleitas: - «Alto e pára o baile!» - diria o esqueleto se lhe dêssemos um microfone. Ele pediria paciência – a melhor das mezinhas

Desde que descobri o significado da ruminação, estou mais consciente do seu aparecimento. Continuo adepta dela – é impossível desligar totalmente – mas consigo voltar a mim, atenta ao que está a suceder. Até já me rio de mim mesma - «Lá estás tu a fazer filmes!» - e esse exercício acaba por me tornar mais próxima do equilíbrio – físico e emocional – tão desejado. De facto, ruminar não adianta nada, não faz com que as coisas mudem, só por si, por mais criativos que sejam os cenários.


Há tempos, li um artigo do Jon Kabat Zin** e destaquei esta frase: «Lo que propone la atención plena, no es que uno cambie su vida, sino que se enamore de ella.» Talvez seja essa sabedoria… 


* ruminar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa  https://www.priberam.pt/dlpo/ruminar

** http://www.lavanguardia.com/lacontra/20160611/402426129962/si-aumentas-la-conciencia-los-cambios-en-tu-vida-vienen-solos.html#?utm_campaign=botones_sociales&utm_source=facebook&utm_medium=social

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Texto en Español

Ruminación mental

- Y si es asi? O si no lo es..?Y si..?



El cuerpo es el instrumento mais precioso que tenemos y, la mayoria de las veces, no lo valoramos. Lo maltratamos con excesos de todo tipo, como darle poco descanso o ingeriendo venenos - el azúcar - que nos matan, una dosis de cada vez. Cuando el estrés se manifiesta, el cuerpo levanta la mano para marcar presencia, tal y cual u un niño mocoso, con dolor de panza, cabeza o corridas al baño. En esos momentos, llegamos a pensar que atraemos virus, enfermedades y alergias - todo al mismo tiempo! Parece coincidencia, pero no lo es. Cuando la cabeza necesita de tranquilidad, las señales del cuerpo son óbvias, sin embargo, tantas veces, menosprezadas. La mente no para – la tipa sufre de hiperactividad descontrolada - y proyecta, a todo el instante, pensamientos rodopiantes, nosotros vamos atras, viciados en preocupaciones, angústias y ansiedades. Somos tan buenos a arquitectar cenarios - como directores de ficción cientifica - y, por eso, en esta cabeza entra más una fantasía y no se cuantos «si». La mente de mono, aficionada por «si», no descansa y crea sus horizontes imaginarios bajo una forma de ruminación mental.



Ruminar - volver a tragar (en el dicionario, dice que es «los alimentos que vuelven a la boca»). Todos los seres humanos ruminan mentalmente, bueno, pasan una gran parte de la vida en eso. De lo que se sabe, los animales no ruminan mentalmente, y, como tal, no pierden su tiempo a pensar y repensar lo que hicieron o dejaron de hacer – daria riza ver a un perro pensando si debia haber comido mas un hueso..y si tenia mas carne..y si..


Masticamos nuestra existencia, tragamos y volvemos a devolver. Son tantos las vueltas que hacen los pensamientos que terminamos tontos, sin, siquiera, salir del lugar. Ruminar es nuestro pasatiempo favorito; se olvidaron de decirnos que este hobbie tiene consecuencias nefastas en el bien-estar y calidad de vida. De repente, estamos en la calecita de los escenarios hipotéticos,  la mayor parte de ellos, sin ningun realismo. Estamos siempre dando atención a las suposiciones, deduciones, interrogaciones, una auténtica pelota de nieve. Uff! Es un cansancio estar en el lugar recorriente del juzgamiento y de  la comparacion. Cuando nos damos cuenta, vivimos más dentro de los pensamentos que afuera de ellos – en la vida. E, en esos momentos, quedamos sorprendidos porque el cuerpo reaciona con tantas enfermedades: - «Alto y pára todo!» - diria el esqueleto si le deriamos um micrófono. El nos pediria paciencia – la mejor de las medicinas.

Desde que descubri el significado de la ruminación mental, estoy mas consciente de su surgimiento. Continuo adepta de ella - es imposible desconectar totalmente – pero logro volver a mi, atenta ao que esta pasando. Hasta me rio de mi misma - "ya estas de nuevo pensando en lo mismo!" y esse ejercicio me aproxima del equilíbrio – físico y emocional – tan deseado. De facto, ruminar no adelanta, no hace con que las cosas cambien solas, por mas criativos que sean los escenarios.

Hace unos dias, leí un artículo de Jon Kabat Zin y destaque esta frase: "Lo que propone la atención plena, no es que uno cambie su vida, sino que se enamora de ella.» Tal vez sea esa la sabedoria…

Comentários

  1. Isto é tão verdade! Sou tão adepta-não-adepta desta mania de ruminar ;) beijinhos

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