Caixa de memórias
Para que serve a memória? Será uma bagagem pesada sem grande utilidade, uma vez que o caminho segue adiante, rumo ao que há de vir? Porquê perder tempo com o remexer dos esqueletos, pois o que “passou, passou” e nada poderemos fazer para alterar o sucedido?!
Estas são algumas das questões que já me coloquei, em inúmeras ocasiões
de balanço da minha vida. Sei que há gente que considera que a memória não serve
para nada, desligando-se, por completo, do passado. Pelo contrário, eu sou daquelas
que preza muito as recordações - de outra forma não me conseguiria expressar
através da escrita – e consigo perspetivá-las como fios condutores de um
caminho com maior significado. Não consigo identificar-me com a pessoa que sou
hoje, sem me conectar com a memória das versões que fui sendo, ao longo do
tempo.
A memória dá estrutura ao ser, edificando a nossa visão do mundo no momento presente. Como vivemos neste mundo físico, os objetos correspondem a formas de materialização das lembranças. Partindo desta ideia, na última sessão de Mindfulness da ICreate, os participantes foram convidados a criar/partilhar uma “caixa de memórias”, na qual colocaram, pelo menos, três objetos que revelassem pontos marcantes do seu percurso. O desafio consistiu numa viagem interior, superando o óbvio ou o previsível, possibilitando a oportunidade de dar a conhecer novos lados das suas personalidades.
O resultado foi fantástico! Para além do cuidado pela apresentação estética de caixinhas bonitas, o grupo destacou-se pela criatividade dos elementos selecionados: fotografias de infância e de elementos de família, peças de roupa muito antigas e com enorme significado, cadernos com anotações, amuletos da sorte, livros, slogans irreverentes, canetas, cartas de condução, etc.
Na verdade, não foram os artefactos propriamente ditos que me impressionaram, mas a história que cada um deles contou acerca destas pessoas com vivências tão ricas e diversas. Cada ser humano é único e apaixona-me descobrir a essência de quem passa por mim.
E, assim, continuaremos a viajar no tempo, ressignificando as narrativas que
nos conduzem até ao presente, numa busca de pacificação e gratidão pela vida,
tal como ela é.
“A história é
testemunha do passado, luz da verdade, vida da memória, mestra da vida,
anunciadora dos tempos antigos.”
(Cícero)
Caja de recuerdos
¿Para qué sirve la memoria? ¿Será un equipaje pesado y de
poca utilidad, si el camino continúa hacia adelante, rumbo a lo que está por
venir? ¿Por qué perder tiempo revolviendo esqueletos, si lo que “pasó, pasó” y
nada podremos hacer para cambiar lo sucedido?
Estas son algunas de las preguntas que me he planteado en
innumerables ocasiones al hacer balance de mi vida. Sé que hay quienes
consideran que la memoria no sirve para nada y se desvinculan por completo del
pasado. Por el contrario, yo soy de las que valoran profundamente los
recuerdos; de otro modo no podría expresarme a través de la escritura. Además,
los concibo como hilos conductores de un camino con mayor significado. No
consigo identificarme con la persona que soy hoy sin conectar con la memoria de
las distintas versiones de mí misma que he ido siendo a lo largo del tiempo.
La memoria da estructura al ser, construyendo nuestra visión
del mundo en el momento presente. Como vivimos en este mundo físico, los
objetos constituyen formas de materialización de los recuerdos. Partiendo de
esta idea, en la última sesión de Meditacion de los jubilados de ICreate, se
invitó a los participantes a crear y compartir una “caja de recuerdos”, en la
que colocaron al menos 3 objetos que reflejaran momentos significativos de su
trayectoria vital. El desafío consistió en realizar un viaje interior, yendo
más allá de lo obvio o previsible, ofreciendo la oportunidad de dar a conocer
nuevas facetas de sus personalidades.
¡El resultado fue fantástico! Además del esmero puesto en la
presentación estética de hermosas cajitas, el grupo destacó por la creatividad
de los elementos seleccionados: fotografías de la infancia y de familiares,
prendas de vestir muy antiguas y cargadas de significado, cuadernos con
anotaciones, amuletos de la suerte, libros, consignas irreverentes, bolígrafos,
permisos de conducir, etc.
En realidad, no fueron los artefactos en sí los que me
impresionaron, sino la historia que cada uno de ellos contó sobre estas
personas de vivencias tan ricas y diversas. Cada ser humano es único, y me
apasiona descubrir la esencia de quienes se cruzan en mi camino.
Así seguiremos viajando en el tiempo, resignificando las
narrativas que nos han conducido hasta el presente, en una búsqueda de
serenidad y gratitud por la vida, tal como es.
“La historia es testigo de los tiempos, luz de la verdad,
vida de la memoria, maestra de la vida, mensajera de la antigüedad.”
(Cicerón)



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