A dança como a real escuta do corpo
Li que, depois da gravação das cenas mais densas, a realizadora do esplêndido filme “Hamnet”, pedia ao elenco que dançasse. Tornou-se um ritual de catarse no seio das filmagens desta história que evoca uma profunda viagem de dor e de compaixão. As emoções, particularmente, as negativas, como a tristeza, a raiva ou a angústia, perfuram, de forma vigorosa, o nosso sistema e não nos abandonam, facilmente. Durante muito tempo acreditei que os estados emocionais seriam passageiros – e não o deixam de ser – e que transitado o momento, a página era definitivamente virada e p’ra frente é que é caminho ! O problema é que o nosso corpo, este templo sagrado que suporta a nossa existência física, não esquece. O gajo tem cá uma memória, melhor do que a do elefante e que daria para envergonhar qualquer programa informático sofisticado, pois consegue armazenar informação tão longínqua que atravessa, inclusive, o tempo de várias gerações, como apontam os estudos da Epigenética. As células que c...









