Um pássaro no meio de anjos e santos
O pássaro voou dentro da igreja, percorrendo os tetos cravejados de cânticos e de preces sentidas, no exato instante em que o sacerdote, responsável pelas cerimónias fúnebres, proferia o nome do defunto homenageado. Abstive-me, por momentos, das rezas e dos rituais, e permaneci, na contemplação da (in)finitude do tempo que se me apresentava no formato de um ser vivo, livre e solto. O confronto com a morte evoca, naturalmente, uma reflexão sobre o sentido da existência, pois a dita continua a desafiar a nossa compreensão, que se revela, sempre, inábil e insuficiente perante a assunção da fatalidade. No meio de memórias e de julgamentos que nós, humanos, nunca estamos isentos, emerge a voz da consciência que nos questiona sobre o que é viver de forma plena (e não somente, sobreviver!). O que realmente importa, no final dos dias? Pensando melhor, a ideia da frase “no final dos dias” torna-se, no meu ponto de vista, demasiado redutora para o verdadeiro significado de uma vida. Creio...









