O estojo de marcadores
O estojo de marcadores, na loja do chinês, estava a chamar por mim. Já me tinha sussurrado ao ouvido, em outras ocasiões em que lá fui para adquirir uns acessórios domésticos. A verdade é que, nestes locais, nunca se traz uma só coisa, há sempre mais alguma bugiganga que nos convida à adoção capitalista e caímos na conversa fiada, sem grande resistência. Neste caso, o estojo - havia várias tipologias, com diferentes números, tamanhos e preços – estava a pedir colinho, não sei porquê. Escolhi o mais barato, como forma de aquietar a culpa consumista que me martelava, e voltei para casa um bocadinho orgulhosa da minha compra. Desde muito cedo, percebi que a criatividade sustenta a minha essência: dar asas à imaginação e viver no mundo dos sonhos faz parte do meu quotidiano. Contudo, a criação por via do desenho, a pintura ou a escultura nunca integraram as áreas da minha vocação ou interesse. Por outras palavras, sempre me assumi como uma pessoa com zero talento para as artes visuai...









