Não me lembro se existiram dias de chuva
Não me lembro se existiram dias de chuva nos verões da minha infância. Não sei se fui eu que escolhi não gravar tais arquivos no disco da memória ou se, de facto, não aconteceram. A ausência de imagens dos momentos de pluviosidade justifica-se, talvez, pela dúvida de pensar: o que se fazia nesses dias cinzentos ?! Para onde se voltavam as energias quando o sol não espreitava, já que ser criança, nos anos 80/90, significava fazer da rua uma casa, e dos amigos, uma grande família. Tive a sorte de crescer numa época em que as formas de controlo eram reduzidas (em certos casos, inexistentes), sendo que as férias escolares representavam (mais) liberdade e autonomia, pois eram poucas as famílias que se brindavam o privilégio de “fazer férias” fora de casa. Nem acredito como tínhamos imensas horas sem qualquer vigilância parental, tantos momentos que poderiam ter virado tragédia, num piscar de olhos. Aconteciam coisas más, como é evidente, algumas só se sabiam a posteriori , e muitas ...









